quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Etnografia cognitiva
Material de qualidade: http://classes.matthewjbrown.net/cognitive-ethnography/
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Alexandre Cotovio Martins
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quinta-feira, dezembro 08, 2016
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domingo, 25 de setembro de 2016
On the daily life of metropolises.
"The daily existence of the metropolitan territory as an archipelago tends to generate a perceptive map of the metropolis which, for major population groups, results in an obfuscation or even obliteration of the spaces and territories that lie in between and beyond these 'islands'. There seems to be an organized (though not necessarily intentional) ignorance of the interstitial or extreme spaces of the 'islands', nodal points of functional mobility and urban productivity, now elevated to a legitimatizing ideology defining proper ways to organize and use the urban space. In the connectionist and binary language of networks, the islands represent the nodal points of a network, in between which circulates what's 'in' as opposed to what's 'out'. By way of Erving Goffman's old metaphor we might say that the new ways of organizing metropolitan space tend to produce many and diverse 'backstages' as opposed to the 'stages' of urban everyday life (...).
We are thus looking at an advent of the perception of metropolitan space as functional, in the face of the demands of global competition, which tends to reify certain uses of space by presenting them as self-evident and unquestionable. Even the frequent bouts of criticism by the city users tend to focus more one the system's 'malfunctions' (occasional failures on the system of public transportation, potholes on the road...) than on questioning the basic foundations of its construction. We're referring to an inevitably moral set of choices aggregated within a metropolitan society, in which [each collective entity] is unevely positioned to impress its own point of view and thus to build [urban space]. In this context, to criticize the mundane or 'naturalized' perception of the functional spaces of urban life might contribute towards an increased democratization of daily existence in contemporary metropolises".
Martins, A.C. & Mota, C. (2011). Metropolitan citizenship and critiques of everyday life. in MELE, V. (ed.). Sociology, Aesthetics and the City. Pisa: Pisa University Press.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
Estádios
Imagem extraída de http://www.quotationof.com/bio/richard-rorty.html
«The end of philosophy-as-successor-of-theology, a "pure" subject in which deep problems are attacked by appropriately pure methods, will not occur in our time. No one knows, indeed, whether it will ever occur - whether what Comte called "the positivistic stage" will ever be reached. If it is reached, however, it will not be as Comte conceived it; it will not be an age in which everything has become "scientific". Science as the source of "truth" - a value which outranks the mere goodness of moral virtue and the mere beauty of art - is one of the Cartesian notions which vanish when the ideal of "philosophy as strict science" vanishes».
- Richard Rorty, The Consequences of Pragmatism
terça-feira, 17 de novembro de 2015
The making of the common in social relations
Já está à venda. Contributos de autores da América do Sul, Europa e Ásia. A não perder.
http://www.cambridgescholars.com/the-making-of-the-common-in-social-relations
http://www.cambridgescholars.com/the-making-of-the-common-in-social-relations
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Alexandre Cotovio Martins
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terça-feira, novembro 17, 2015
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Building paths towards death
A propósito da publicação, prevista para breve, de um livro colectivo, em Inglaterra, o qual tenho o gosto de coordenar, em parceria com José Resende, deixo aqui parte de um capítulo escrito por mim, na sequência do projecto de investigação, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Building paths to death: an analysis of everyday work in palliative care. Talvez possa suscitar a curiosidade e o interesse de potenciais leitores(as).
In this chapter (...), we
address the hospital careers of illness which
characterise the end-of-life of many during their aging process. The hospital
careers of illness include the different experiences that people undergo in
their relations with hospitals and healthcare professionals. For example, some
patients repeatedly return to the same hospital infirmary. When this happens,
the healthcare teams might react differently to the way they react when a
“newcomer” arrives. The extent of the patient’s familiarity with the hospital
can also influence his reactions during the path towards death. One aspect of
the effect of careers of this type in terminal situations is the conception of
time, for example, in the acceptance or non-acceptance of death. These careers
can exert considerable importance in end-of-life processes, affecting the
interaction around the terminal patient and organisation of his terminal care.
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Alexandre Cotovio Martins
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quarta-feira, março 18, 2015
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terça-feira, 17 de março de 2015
(Mais um) Desabafo
Sabemos, de ciência segura, que significantes aparentemente anódinos podem apoiar operações (não necessariamente intencionais) de "estreitamento conceptual" (simplifiquemos) que, do ponto de vista económico, social e político, significam, com demasiada frequência, processos de redução do pluralismo e, ou, de instituição de quadros legitimadores do poder deste ou daquele indivíduo ou colectivo. Todavia, mesmo sem irmos longe no escrutínio sociológico, apetece dizer: há situações em que o processo é tão abertamente um processo inepto que se tratará de mera confusão, a qual apenas poderá vingar onde não haja grande discernimento.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Outrora
Imagem extraída de: http://hdw.eweb4.com/out/162573.html
Dei comigo há pouco a reler um "velhinho" trabalho realizado por mim, para uma cadeira de Metodologias, durante a frequência do meu mestrado. Resolvi partilhar parte do texto, mesmo sem revisão.
© Alexandre Cotovio Martins
Da exaustividade e da aleatoriedade na investigação sociológica
Jean-Claude Passeron defende a posição segundo a qual não se pode
esperar, no trabalho sociológico, que um levantamento de dados seja, quer exaustivo,
quer aleatório (Cfr. Passeron, 1995).
De acordo com esta
posição, apenas uma concepção naïve da investigação sociológica pode
fundamentar a crença na exaustividade e na aleatoriedade na constituição de um corpus.
Com efeito, se se admitir, com Augusto Santos Silva, que “o mundo que
pretendemos representar é infinito, quer em extensão, quer em intensidade: tão
impossível se tornaria dar conta da infinita variedade de fenómenos nele
contidos como da infinita variedade de elementos[1] e
aspectos de um único fenómeno” (Cfr. Silva, 1988, pp.45-106), rapidamente se
compreende que, por mais que se considere seja natural qualquer acto constitutivo de um objecto
como “dado” na constatação perceptiva[2], não se
pode esperar que esta última seja, ela própria, acomodação pura e simples ao
real. Na verdade, é adequado dizer-se que o próprio acto perceptivo é um acto
de construção[3],
em que intervêm inúmeros factores, sendo que um objecto apenas aparece
como aparece por esse acto constitutivo. Por exemplo, aquilo a que chamamos
cores não são mais que um determinado modo de percepção de uma parte daquilo a
que chamamos luz. Através deste exemplo, percebe-se que o real nunca é
simplesmente “dado” ao entendimento, mas, muito pelo contrário, o que se
designa correntemente como tal é uma construção complexa em que influem
inúmeros factores de peso diferenciado. Posto isto, para entrar mais especificamente
na problemática em causa, é importante afirmar que qualquer acto descritivo é,
como sugerido acima, parcial: trata-se de algo que se poderia designar
metaforicamente como uma relação luz-sombra, na medida em que, quando se
constitui um determinado aspecto de um objecto qualquer como “dado”, através de
uma descrição pertinente face a determinados protocolos de observação, está-se,
no mesmo golpe, a relegar para a “obscuridade” todos os outros aspectos do
objecto, que se podem mostrar pertinentes face a outros protocolos de
observação. Assim, parece que o acto do entendimento dirigido a um objecto é,
simultaneamente, constitutivo e exclusivo. Ao constituir como
significativo, exclui; a partir daqui, talvez se afigure importante procurar
compreender o que leva, a cada momento, a constituir como significativo este ou
aquele objecto ou este ou aquele aspecto de um objecto. Por outras palavras, é
decerto importante o estudo dos factores que influem na constituição das
descrições.
A explicação, já
clássica em sociologia, mas, nem por isso, talvez, menos pertinente ou exacta,
para a dilucidação desta última questão, foi dada por Max Weber, na linha das
correntes neo-kantianas da filosofia histórica alemã. Senão, veja-se: “todo o
conhecimento da realidade cultural é (...) sempre um conhecimento sob pontos
de vista especificamente particularizados. Quando exigimos do
historiador ou do investigador de ciências sociais que saiba distinguir- como
pressuposto elementar- o importante do não importante, e que para operar essa
distinção possua os necessários “pontos de vista”, isso quer dizer simplesmente
que ele terá de saber referir – consciente ou inconscientemente – os processos
da realidade a “valores culturais” e, de acordo com isso, seleccionar as
conexões que para nós são significativas. A opinião, com que deparamos
frequentemente, de que aqueles pontos de vista podem ser “retirados à própria
matéria”, provém da ingénua ilusão do especialista que não se dá conta de que,
em virtude das ideias de valor com que inconscientemente abordou a matéria em
estudo, seleccionou um aspecto ínfimo da absoluta infinidade, e só esse
componente lhe interessa considerar ( Cfr. Weber, Max, in Cruz,
1989, pp.632-633)”. Este problema é mesmo um problema epistemológico geral[4], que não
apenas da epistemologia das ciências sociais. Conforme escreve Santos Silva,
referindo-se às ciências “é-lhes imprescindível perspectivar os
fenómenos a partir de certos ângulos de focagem; seleccionar de entre a
infinitude de elementos do real aqueles que lhes interessam, aqueles que
convertem em balizas empíricas dos problemas que colocam, abstraindo dos
restantes” (Cfr. Silva, 1988, pp. 45-106).
Mas, como se define
este interesse? Uma resposta fundada a esta questão exigiria, só por si,
um tratamento específico de grande fôlego, mas pode-se, pelo menos, avançar
algo, de acordo com aquilo que diz Jean-Claude Passeron. Para este autor, a
pertinência de uma linguagem teórica de descrição do mundo é um facto social,
um estado determinado do acordo linguístico existente no seio de uma comunidade
falante (Cfr. Passeron, 1991, p.361). Segundo o autor, “dans les cas d'une
«science empírique», les assertions qui affirment ou nient un état du monde –
qui énoncent que «tel est le cas, ou non» - supposent que le système des
«preuves» et des «constats» soit fondé sur un accord intersubjectif (et donc
linguistique) entre chercheurs capable de stabiliser le formulation des
«protocoles» de l'observation empirique dans le même langage que celui de leur
rattachement aux concepts d'une théorie explicative ou interprétative. La description
épistémologique prend la forme d'une description des argumentations
naturelles lorsque les faits construits par une science dans un espace logique
sont les faits «empiriques» et non plus seulement des faits «formels» sur
lesquels peuvent porter des «démonstrations» au sens strict. Seule, en effet,
une langue naturelle peut jouer le rôle d'une métalangue pour décrire un état
des rapports entre le langage et le monde (Cfr. Passeron, 1995, p.16)”. É, pois, a fortiori evidente que, para Jean-Claude Passeron,
apenas uma língua natural pode falar das relações entre uma linguagem
artificial e um “estado de coisas”. Este autor, rejeita, assim,
automaticamente, certos projectos logicistas, como, para citar um exemplo, a
tentativa de Gottlob Frege para fundar uma ideografia, que definiria, de
uma vez por todas e de forma absolutamente unívoca, as relações entre a
linguagem que a constituiria e o mundo. Uma postura teórica clássica que pode
servir para inteligibilizar esta questão é a de Ferdinand de Saussure, que
afirmou a impossibilidade de encontrar relações necessárias entre uma qualquer
linguagem e as “coisas”, concluindo da arbitrariedade referencial das línguas[5]. Dito
isto, percebe-se melhor que seja, sempre, um sistema axiológico que orienta a escolha
de uma determinada descrição da realidade em detrimento de outras possíveis e,
assim, os factos pertinentes face a essas descrições são sempre função
de um acordo intersubjectivo – que reenvia, ele próprio, para toda uma
estrutura social, como defende Bourdieu, referindo-se embora a outras
questões:”a relação de força linguística não é totalmente dominada pelas forças
linguísticas em presença e (...), através das línguas faladas, dos falantes que
as falam, dos grupos definidos pela posse da compreensão correspondente, toda a
estrutura social está presente em cada interacção (e, desta forma, também no
discurso)”. ( Cfr. Bourdieu, 1995, p.55 ). O mais importante talvez seja, a
este nível, a tarefa de explicitação desses pressupostos implícitos que,
por menos conhecidos, tenderão a ser menos controlados na prática científica.
Jean-Claude Passeron escreve ( Cfr. Passeron, 1991, pp. 398-399 ): “Selon que
les conventions qui font correspondre des énoncés et des «états de
choses» (a) portent sur les énoncés engendrés par une langue naturelle ou
stabilisés dans une culture pratique, sans intervention active des locuteurs ou
des pratiquants, ou selon que (b) ces conventions sont élaborées explicitement
et travaillées méthodiquement par des spécialistes aux fins de protocolariser
une langue de description, on a affaire (a) à une théorie implicite du
monde ou (b) à une connaissance explicitement théorique du monde”. A explicitação
é, pois, para Passeron, um “critério de demarcação” particularmente
significativo[6].
Quanto à segunda
questão, a da impossibilidade de um inquérito sobre o mundo histórico ser
aleatório, parece pertinente dizer-se que isso se deve a que talvez seja impossível garantir, totalmente a priori, a existência de uma
distribuição homogénea das probabilidades para cada indivíduo de uma população
considerada ser amostrado. Na verdade, se se desconhece a população, não se
pode garantir à partida que todos os seus elementos tenham uma probabilidade igual
de serem amostrados[7].
É importante ter em
conta que parece plausível a presunção de que a probabilidade de existência
objectiva de uma probabilidade exactamente igual de ser amostrado para cada
indivíduo de uma população é muito baixa, se não nula. Seria necessário existir
uma distribuição dos indivíduos da população totalmente homogénea por
referência à possibilidade de serem entrevistados. Um exemplo da dificuldade
resulta da parcialidade espácio-temporal das sucessivas situações de inquérito
que podem ser conduzidas para tentar cumprir o ideal da aleatoriedade total.
Ademais, poder-se-á perguntar se a própria ideia de equi-distribuição
espácio-temporal de um determinado conjunto de propriedades ou indivíduos, que
subjaz à crença na possibilidade de uma representatividade perfeita baseada na
aleatoriedade, tem uma probabilidade razoável de se realizar no campo da
investigação sociológica. Pode-se, com efeito, questionar a ideia de que, num
determinado contexto histórico, a probabilidade de todos os indivíduos
pertinentes para a investigação conduzida serem interpelados por um
entrevistador e serem por ele entrevistados é igual. Se a probabilidade de,
após lançamento de um dado honesto sobre uma superfície homogénea, uma sua face
determinada ficar virada para cima é de 1/6, será que, numa população de,
digamos, 500 indivíduos, a probabilidade de cada um deles se cruzar com um
entrevistador e ser por ele entrevistado é de 1/500? Talvez não. No caso do
lançamento do dado, para retomar o exemplo, o conjunto das condições
necessárias para que se determine o espaço de acontecimentos que permitem o
cálculo da probabilidade de saída de uma dada face é, em princípio,
relativamente simples. A determinação dos factores que influem no acontecimento
provável é possível. Mas, no caso da observação histórica, as coisas não são
tão simples. Como diz Passeron ( 1995, p.28), “on sait (...) qu'il ne suffit
pas de procéder «au hasard» dans une campagne de récollection des données pour
avoir opéré, au sens statistique du terme, un «échantillonage aléatoire», tant
que l'on ne connaît pas, afin de pouvoir y échantilloner au sens strict, la
population de réference ( population de propriétés ou population d'individus)
susceptible d'être mise en liste «sans omission ni répétition»”. Por outras
palavras, surge, desde logo, o problema do desconhecimento, a priori,
das condições pertinentes que definem a distribuição de um conjunto de
indivíduos ou propriedades por um determinado arranjo espácio-temporal – sendo
que esse desconhecimento não pode, talvez muito pelo contrário, ser
ultrapassado pela mera recolha “ao acaso” de dados. Imagine-se, por exemplo,
que se pretende saber, por amostragem, qual a percentagem de indivíduos de uma
população que possuem uma determinada característica, seja ela um rendimento
superior a x. Sem qualquer tipo de
conjectura sobre os intervalos espácio-temporais onde seria mais provável
encontrar indivíduos com essa característica, o risco de sub- ou
sobre-representação do número desses indivíduos na amostra, construída
“totalmente” ao acaso, pode aumentar. Com efeito, a distribuição dos indivíduos
com esse rendimento pelos diversos locais e períodos amostráveis não é
necessariamente homogénea. Ou seja, a probabilidade de encontrar e entrevistar
um indivíduo com o rendimento x não é idêntica para todo e qualquer local e
período. Ora, a amostragem ao acaso, aceite acriticamente, parte do pressuposto
implícito de que todos os locais e períodos possíveis representam intervalos em
que a probabilidade de encontrar e entrevistar um indivíduo da população em
causa é, ou será tendencialmente[8]
a mesma, o que, di-lo a teoria sociológica, é as mais das vezes, falso. No caso
dos rendimentos, é por demais sabido que os indivíduos com diferentes
rendimentos tendem a encontrar-se, nas sociedades modernas, desigualmente
distribuídos por relação ao espaço e ao tempo.
Como é compreensível,
apenas o estabelecimento de conjecturas teoricamente fundadas (isto é,
que integrem, também, informação empírica) pode ser relevante para a decisão
do investigador de amostrar uma população de uma determinada forma. O problema
é que o investigador não possui, nas ciências históricas, dado o carácter
fluido, transitório, assimétrico, dos fenómenos sociais, uma justificação de
pertinência teórica definitiva para amostrar uma população desta ou daquela
forma – como o terá, por exemplo, o cientista experimental. Por aqui
compreende-se, sem dúvida, a insistência de Jean-Claude Passeron na necessidade
de o raciocínio sociológico ser “controlado” por uma argumentação cerrada, que
faz intervir no seu discurso o maior número possível de comparações entre
contextos heterogéneos, ou seja, contextos cujas eventuais analogias não
esgotam a infinitude dos seus traços pertinentes. Tendo como adquirida a noção
de que os caracteres pertinentes para a descrição e explicação de um contexto
histórico são potencialmente infinitos, o sociólogo não pode esperar aplicar de
forma válida a cláusula ceteribus paribus, nem postular a priori
a existência de uma distribuição espácio-temporal uniforme dos indivíduos para
a sua investigação. Assim, Passeron sugere que sejam as próprias questões,
teoricamente informadas, colocadas pelo investigador ao real, que conduzam a
sua escolha de determinados “casos”, onde se espera que se possa observar o
funcionamento dos processos que se pretende explicar. Trata-se, então, de
“privilegiar” certos casos em detrimento de outros, considerados menos pertinentes
à luz do raciocínio desenvolvido.
De acordo com esta
perspectiva, a generalização dos resultados das investigações sociológicas não
resulta de um mero automatismo formal, mas de um raciocínio comparativo, capaz
de procurar encontrar analogias entre contextos heterogéneos. Ou seja, o
sociólogo não pode esperar executar generalizações através do simples uso de
automatismos sintácticos de uma qualquer linguagem formal, mas sim pelo recurso
à comparação entre contextos definidos no tempo e no espaço, comparação
onde os próprios argumentos quantitativos têm, aliás, todo o sentido[9]. O
sociólogo, para efectuar este tipo de comparação, deve munir-se de uma
capacidade de trabalhar conceptualmente as semelhanças que supõe existentes
entre contextos heterogéneos, aumentando, assim, a semântica empírica dos
conceitos utilizados nesse trabalho (generalização). Ao tratar como
equivalentes dois contextos distintos, o investigador presume essa
equivalência, de acordo com pressupostos teóricos que deve explicitar, para não
acabar por cair em metafísicas inconscientes ou em filosofias da história com
os sinais exteriores da ciência.
[1] Conceito que um autor como
Gaston Bachelard criticou; para o epistemólogo francês, o “elemento” clássico
de certas linhas argumentativas positivistas ou realistas não é uma noção
completamente exacta. Leia-se um exemplo dessa crítica na sua obra: “Un élément
n'est (...) un ensemble de propriétés différentes comme le veut l'intuition
substantialiste usuelle. C'est une collection d'états possibles pour une propriété particulière.
Un élément n'est pas une hétérogénéité condensée. C'est une homogénéité dispersée” (Cfr. Bachelard, 1988,p.89 e segs.).
[2] Proximidade que define o ideal dos credos
empiristas.
[3] Que não resulta sequer,
propriamente falando, exclusivamente do aparelho sensorial da espécie humana, mas, entre outras coisas, de um processo de socialização; como defende Norbert
Elias, “além da sua língua, as crianças adquirem, inevitavelmente, partes do
fundo de conhecimento da sociedade em que crescem, as quais se interligam, de
forma sistemática, com o conhecimento que pode ser adquirido através da própria
experiência. O conhecimento adquirido por uma criança a partir da sua
experiência pessoal e o conhecimento que faz parte do fundo social de
conhecimento tendem a ficar intimamente ligados, tornando-se difícil
distingui-los (Cfr. Elias, 1994). Noutra sua obra, o autor escreve: (Cfr.
Elias, 1991, p.78):”Du fait même que la commande relationnelle relativement
indéfinie du nouveau-né ne se définit et ne se règle pour prendre forme
véritablement humaine qu'au travers du rapport avec les autres, ce que nous
rencontrons par la suite sous la forme de “psychisme” de l'adulte ne peut être
pas en soi extérieur à la société ou asocial, mais est au contraire fonction de
cette unité relationnelle d'ordre dominant que nous appelons la “société”;
toute la façon dont l'individu se considère et se dirige dans les rapports avec
les autres dépend de la structure du groupe humain dont il apprend à dire
“nous”.
[4] O que o próprio Weber não deixou de perceber
e analisar, na esteira dos filósofos neo-kantianos.
[5] Veja-se, a este respeito Iorgu Iordan, 1982,
pp.373 e seguintes.
[6] O que, como resulta claro,
implica, pelo menos em alguns casos, toda uma sociologia do conhecimento e,
mais particularmente, uma sociologia do conhecimento científico. Seria talvez
pertinente questionar, noutro âmbito, se pode haver uma gnoseologia consequente
que não leve em conta os contributos de uma sociologia do conhecimento.
[7] Uma teoria objectiva da
probabilidade, como a defendida por Karl Popper (Cfr., Popper, 1998, pp.
160-236 ) que propõe um cálculo probabilístico baseado nas frequências já
observadas, não o fará, pensa-se. Porque, não se conhe- cendo distribuição de
frequências nenhuma, não se pode tecer considerações rigorosas acerca das
distribuições a observar.
[8] De acordo com a Lei dos Grandes Números.
[8] De acordo com a Lei dos Grandes Números.
[9] Sobretudo se se perfilhar a postura de
Passeron, que atenua, ou mesmo dissolve, num certo sentido, a distinção entre
estratégias de investigação “quantitativas” e “qualitativas” (cfr. Passeron, 1995,1996).
sábado, 13 de julho de 2013
Integração e coesão
Tandis que le modèle de l'intégration sociale vise à installer des normes publiques durables, sinon éternelles et universelles, la cohésion appelle la gouvernance et le pilotage par des indicateurs utilisés comme outils.
François Dubet, Le travail des soctétés.
François Dubet, Le travail des soctétés.
domingo, 12 de maio de 2013
sábado, 8 de dezembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Pragmatismo e Grounded Theory
O sistema metodológico conhecido na comunidade científica como Grounded Theory Method (GTM), criado e desenvolvido em alguns dos seus aspectos fundamentais por Barney Glaser e Anselm Strauss, contribuiu muito, aquando do seu surgimento já há várias décadas e como talvez nenhum outro, para prestigiar, mormente no mundo anglófono, as chamadas estratégias de investigação qualitativas, fornecendo-lhes um dispositivo metodológico tão robusto como o das estratégias quantitativas. Por outro lado, o esforço metodológico dos dois sociólogos americanos, cada um deles oriundo de «escolas» intelectuais diferentes - Strauss mais próximo do interaccionismo simbólico e do pragmatismo e Glaser mais próximo de referências como Merton e Lazarsfeld -, centrou-se bastante na recusa daquilo a que eu chamaria de algum academismo - ou escolasticismo - de algumas análises da sua época, orientando-se, por sua vez, para uma referenciação empírica aturada dos processos cognitivos de construção de uma perspectiva científica sobre a realidade social. Daí a ideia-chave exposta logo no título da abordagem, Grounded Theory, que remete para a possibilidade de construção de conceitos directamente a partir do «terreno». Ora, olhar hoje para esta abordagem no quadro do trabalho científico implica resgatar aquilo que nela existiu de melhor e, correlativamente, rejeitar alguns dos seus principais pontos fracos. Um destes pontos está, indubitavelmente, no facto de Glaser e Strauss, no seu esforço de ruptura com a «teoria teórica», terem levado demasiado longe a crença nas possibilidades de uma indução «pura», acabando por abrir a porta a um empirismo ingénuo. Diga-se de passagem que será este empirismo que seduz tantos investigadores em formação, designadamente na área da saúde, para a utilização do GTM. Surgem assim análises semi-doutas, em que se não leu a bibliografia relevante na área disciplinar ou empírica que se pretende abordar. Emergem assim muitas teses em áreas híbridas e amorfas, cujo significado científico é, em meu entender, próximo de nulo ou, no melhor dos casos, trivial. Antony Bryant, no artigo «Grounded Theory and Pragmatism: The Curious Case of Anselm Strauss», recupera a ligação entre a tradição intelectual do interaccionismo simbólico e pragmatismo em que Anselm Strauss filiava amplamente a sua formação científica - mas da qual nunca deu, segundo aquele autor, suficiente conta na sua obra - para reler e recuperar o melhor do GTM, designadamente chamando a atenção para o conceito de abdução - conceito lógico de índole pragmatista, ou não fosse oriundo da pena de Charles Peirce - e da sua centralidade no processo de revigoração do GTM pela via do pragmatismo.
Apenas uma nota: a mim, que utilizei justamente estes princípios de articulação entre pragmatismo e GTM num projecto científico que gizei recentemente, apraz-me particularmente a leitura do texto de Bryant.
Apenas uma nota: a mim, que utilizei justamente estes princípios de articulação entre pragmatismo e GTM num projecto científico que gizei recentemente, apraz-me particularmente a leitura do texto de Bryant.
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Alexandre Cotovio Martins
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sexta-feira, outubro 12, 2012
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Sociometrias
Imagem extraída de http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0362331911001066
Num tempo em que, nomeadamente na política, com demasiada facilidade se lê o mundo social sem explicitação, análise ou consideração séria de noções como interdependência, a leitura de alguma sociometria talvez fosse de não menosprezar.
http://www.cmu.edu/joss/content/articles/volume12/Beyhan.pdf
http://sociology.stanford.edu/people/mgranovetter/documents/granstrengthweakties.pdf
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Alexandre Cotovio Martins
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sexta-feira, agosto 24, 2012
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sábado, 17 de março de 2012
Ciências e filosofia política e social

Imagem extraída de: http://www.icrea.cat/Web/ScientificStaff/Peter-Wagner-521
«C'est de la philosophie politique que les sciences sociales ont hérité leurs questions fondatrices: cette observation forme un des points de départ du travail de Luc Boltanski et Laurent Thévenot dans De la justification. Les auteurs poursuivent leur raisonnement en présentant les approches théoriques fondamentales de ces disciplines (le collectivisme de la sociologie et l'individualisme de l'économie) comme des métaphysiques sociales opposées qui ne parviennennt pas à s'accorder sur leur principe supérieur commun. S'efforçant de trouver un fondement théorique à la possibilité d'un accord entre les êtres humains, chacune de ces approches préssuppose une forme de terrain d'entente (l'«identité collective ou le bien marchand») aux dépens, cependant, d'une compréhension de l'emergence d'une forme d'accord plutôt que d'une autre. Boltanski et Thévenot nomment cette opération «réduction des métaphysiques politiques en sciences sociales» et consacrent leurs efforts à une «mise à jour des métaphysiques politiques sous-jacentes». Une telle mise à jour, notent-ils, «est rendue plus difficile en raison de la rupture avec la philosophie par laquelle l'économie et la sociologie se sont toutes deux constituées en tant que disciplines scientifiques. [...] Elles on toutes deux été engendrées à partir des philosophies politiques qui leur on servi de matrice, et dans lesquelles les métaphysiques sont exposées».
Peter Wagner, «Lien social et lien politique. Les sciences sociales comme philosophie politique empirique».
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Modernidades

Imagem retirada de: http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/miscelanea/
«Ce qui a intéressé, par dessus tout, Max Weber c'est le sens subjectif que les hommes ont donné, au cours de l'histoire, à leurs activités et la dynamique générale qui les anime. La révolution introduite par le protestantisme est, selon lui, d'avoir fait du travail professionnel un Beruf, c'est-à-dire à la fois un métier et une vocation, une nouvelle voie du salut et donc une manière de réaliser, dans le monde et non plus hors du monde, sa vocation de chrétien. C'est dire à quel point la question des significations religieuses de l'activité professionnelle est au coeur de l'interprétation weberiénne de l'histoire. (...) Mais, avec le basculement introduit par le capitalisme et le protestantisme, la rationalisation économique des activités et le désenchantement du monde qui l'accompagne, l'enjeu des activités professionnelles devient la monopolisation des chances de gains sur un marché. L'une des réponses historiques majeures à cet enjeu fut la diffusion du modèle bureaucratique, aussi bien dans les organisations économiques que dans les administrations d'État. Une nouvelle figure professionnelle, celle de l'expert, envahit ces bureaucraties. Elle sera confrontée aux deux autres figures "modernes" qui firent l'objet de réflexions approfondies de la part de Weber: celles du savant et de l'homme politique. Experts, savants et politiques constituent trois incarnations d'une nouvelle légitimité légale-rationnelle qui tend, selon lui, à remplacer les figures réligieuses antérieures, traditionnelles et charismatiques».
Claude Dubar e Pierre Tripier, Sociologie des professions.
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Alexandre Cotovio Martins
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terça-feira, fevereiro 28, 2012
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domingo, 4 de setembro de 2011
Gramática liberal
«La grammaire du libéralisme politique diffère de celle des grandeurs en ce qu'elle ignore les biens communs autres que celui du public libéral. Elle met en revanche en avant les procédures de composition de ce public à partir des voix d'individus façonnés pour le public, procédures qui supposent que les biens soient réduits à l'état de préférences individuelles».
THÉVENOT, Laurent, in «Reconnaissances: avec Paul Ricoeur et Axel Honneth».
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Pobrezas - II
Já agora, uma entrevista de 2008 (ano da maioria dos dados que o INE compilou e referi na mensagem anterior), de Bruto da Costa. Note-se que foi o próprio Bruto da Costa que disse recentemente que os dados do momento actual, depois da «Crise», conterão, quando surgirem, bastante mais «pobreza».
http://www.publico.pt/Sociedade/pobreza-em-portugal-e-preciso-subir-os-salarios-e-diversificar-fontes-de-rendimento_1329698
http://www.publico.pt/Sociedade/pobreza-em-portugal-e-preciso-subir-os-salarios-e-diversificar-fontes-de-rendimento_1329698
Pobrezas
Avanço abaixo alguns dados do Instituto Nacional de Estatística, relativos à pobreza e constantes no documento (cuja leitura é evidentemente importante) Sobre a pobreza, as desigualdades e a privação material em Portugal. Creio que não necessitam de comentário.
Percentagem de indivíduos em risco de pobreza antes de qualquer transferência social: 41,5%, em 2008.
Percentagem de indivíduos em risco de pobreza após transferência de pensões: 24,3%, em 2008.
Percentagem de indivíduos em risco de pobreza após transferências sociais: 17,9%, em 2008.
Olhando-se para o indicador «taxa de risco de pobreza após transferências sociais segundo a condição perante o trabalho», verifica-se que 10,3% dos indivíduos empregados estavam, em 2008, em risco de pobreza.
Em Portugal e em 2008, a taxa de intensidade da pobreza, medida pela diferença relativa entre o limiar de pobreza e o rendimento mediano dos indivíduos em risco de pobreza era de 23,6%.
Uma citação:
«Portugal é um dos países da União Europeia que se caracteriza por uma elevada assimetria na distribuição dos rendimentos dos agregados familiares. Em 2007, último ano com dados disponíveis para o conjunto dos Estados-Membros, o coeficiente de Gini nacional [indicador que mede a desigualdade calculando a média normalizada das diferenças absolutas entre o rendimento de qualquer par de indivíduos de uma população, sintetizando num único valor a assimetria da distribuição do rendimento desses indivíduos], calculado com base no rendimento disponível por adulto equivalente, correspondia a 35,8%, mais 5,2 p.p. do que o coeficiente para o conjunto dos 27 países (30,6%). Em 2007, apenas três Estados-Membros - a Bulgária, a Letónia e a Roménia - registavam níveis de desigualdade superiores ao valor estimado para Portugal».
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Ideologia
Estava hoje a reler Ricoeur e apeteceu-me partilhar no blogue esta passagem, em que este autor se apoia na sociologia de Weber:
«O que a ideologia interpreta e justifica por excelência é a relação com as autoridades, com o sistema de autoridade. Para explicar este fenómeno, referir-me-ei (...) às análises bem conhecidas de Max Weber respeitantes à autoridade e à dominação. Toda a autoridade, observa ele, procura legitimar-se e os sistemas políticos distinguem-se conforme o seu tipo de legitimação. Ora, parece que, se toda a pretensão à legitimidade é correlativa de uma crença da parte dos indivíduos nesta legitimidade, a relação entre a pretensão emitida pela autoridade e a crença que lhe corresponde é essencialmente dissimétrica. Direi que há sempre mais na pretensão que vem da autoridade do que na crença que vai para a autoridade. Vejo aí um fenómeno irredutível de mais-valia, se por isso se entender o excesso do pedido de legitimação relativamente à oferta de crença. Talvez esta mais-valia seja a verdadeira mais-valia; toda a autoridade reclama mais do que aquilo que a nossa crença pode comportar, no duplo sentido de trazer e de suportar. É aqui que a ideologia se afirma como o reforço da mais-valia e, ao mesmo tempo, como o sistema justificativo da dominação».
Paul RICOEUR, Do Texto à Acção.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Lançamento de livro
Não serei a pessoa em melhor posição para avaliar a qualidade do livro (que penso valer a pena ler), mas a qualidade inequívoca dos comentadores é, julgo, motivo suficiente para uma deslocação de quem é amante ou profissional de sociologia à FCSH, no dia 21:
http://cesnova.fcsh.unl.pt/?area=000&mid=000&id=CNT4df0a5cac6076
http://cesnova.fcsh.unl.pt/?area=000&mid=000&id=CNT4df0a5cac6076
Publicada por
Alexandre Cotovio Martins
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quarta-feira, junho 15, 2011
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Acabado de sair
Foi recentemente dado à estampa o livro Sociology, Aesthetics and the City, editado por Vincenzo Mele (professor da Monmouth University, EUA) e publicado pela Imprensa da Universidade de Pisa, Itália. Escrevo nele, com Catarina Mota, um capítulo. Naturalmente, recomendo a obra.
http://www.edizioniplus.it/italiano/AspFiles/libro.asp?codlibro=728
http://www.edizioniplus.it/italiano/AspFiles/libro.asp?codlibro=728
Publicada por
Alexandre Cotovio Martins
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quinta-feira, junho 02, 2011
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