domingo, 10 de fevereiro de 2008

O espaço da incerteza

Vista de Tóquio, retirada de http://favoritos.wordpress.com/2007/01/18/toquio-by-night/

Desde o século XIX que o fenómeno urbano veio ganhando uma dimensão preponderante nas formas e modalidades de organização do nosso quotidiano, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, crescentemente se afigurou como um facto social, ao estilo das leituras mais coisistas que se podem fazer a partir da obra de Durkheim, uma espécie de fenómeno exterior e coercivo, que parece não podermos controlar. Desenvolvendo-se de acordo com uma estratigrafia espacial e padrões de mobilidade extremamente complexos, articulando-se de forma multidimensional com a vida social e cultural das populações que, sucessivamente, o produzem, o urbano permanece um mistério em muitas das suas dinâmicas específicas e, sobretudo, na sua dimensão futura. Longe dos tempos da lisibilidade da cidade, enquanto unidade administrativa, funcional e simbólica relativamente bem delimitada, hoje estamos, mesmo, como muitos defendem, para lá da metrópole, a viver domínios relacionais que assaltam e surpreendem territórios e populações espacialmente disseminados e não contíguos, organizando uma geometria de fenómenos perfeitamente imprevisíveis. Como responder a perguntas simples, como: "Para onde vamos?"

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